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Soneto de desassossego

 

 

 Enzo Carlo Barrocco

 

 

A tarde flui lentamente,

nuvens com morosidade,

desassossego somente

no azul da minha saudade.

 

Meu poema inconseqüente

jamais dirá a verdade.

O tempo passa inclemente

deixando, apenas, saudade.

 

Só falo o que vem na mente,

vou morrer, só não sei quando

mas enquanto for o meu verso

 

essa viva luz derramando

nesta nau inconsistente

serei uma ave cantando...

 

Soneto de desassossego

Sandra M. Julio

 

Cante a luz que ilumina o caminho

Dessa nau a navegar em desalinho

Percorrendo o desejo e o carinho

De o universo ser seu ninho. 

 

Fale sim, sorria... cante... sempre com emoção,

Deixe fluir sentimentos que habitam seu coração.

Quanto à morte não se importe,

Não refute, nem relute.

 

Viveras eternamente... num poema inconseqüente.

Ludibriando o tempo insolente

Que diante do seu verso, torna-se impotente.

 

Permita-me encontrá-lo no azul da sua saudade...

Entre nuvens morosas e estrelas luminosas...

No desassossego da nossa poética realidade.  

 

 Sandra

 

 

 

 

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Publicado: 24.11.2004  Última atualização:  22.10.2009  

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