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Maria Lucia Victor

 

 

Como aprendiz de águia

salto do penhasco.

Vejo tantos mares lá em baixo

tantas vidas que navegam ao acaso.

No largo vôo busco da existência o sentido,

a noção de felicidade persigo,

Planar é preciso sobre íngremes solidões

que me desafiam enquanto sopra

o vento inclemente do estio

a queimar meu coração de colibri.

Asas e olhos de águia,

o vôo é alto o mundo é pequeno

 e não é meu,

mas o pouco que sorri

faz o planeta ameno.

Cai a noite e o sereno,

busco pouso, acho ninho

onde aninho meu frágil

coração de colibri.

Descansa a águia enquanto durmo aqui.

 

 

 

 

Águia

 

Sandra M. Julio

 

 

Como águia, mergulho penhascos, distantes mares,

Onde a ilusão se faz ondas, chorando espumas, perdidos sonhos...

Em meus olhos, realidade arde tantos ais, soltos pares, distantes ares,

A solidão inunda horizontes, onde crescente lua, desperta devaneios.

 

Perdido pássaro em essências, quem sabe, vãs...

Voando, desafiando o teu, tão meu estio, ermitão...

Espio entre as treitas do futuro, amanhãs

Que, pela teimosia d’alma, jamais chegarão.

 

Sigo meu vôo errante, ouvindo da vida, o sopro.

Da morte, o grito ecoando pelo infinito.

A saudade, de todo um tempo, perdido.

 

Águia solitária, errante pássaro, que como eu, chorou...

Fundindo-se à dor, gemeu, rezou, perdidamente amou,

E, como a folha de um livro triste, alma finada, voou.

 

Sandra

10/10/07

 

 

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Publicado: 24.11.2004  Última atualização:  22.10.2009  

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