|
Sandra M. Julio
Nos cruzamos numa esquina qualquer do
tempo...
Bebi do teu olhar o doce licor da magia...
Tua voz reverberou sonhos e devaneios.
Hoje, como num balé, as lembranças do teu
rosto despiram meu olhar. Desalinharam todas
as emoções e pousaram num horizonte, onde a
saudade calou ecos dos tresloucados desejos,
que passeavam em minh’alma carente.
Numa introspectiva cumplicidade
aconcheguei-me nos braços da noite... Chorei
um amor impossível, depois me embriaguei de
solidão.
Na vigília das horas, paredes nuas
aguardavam decisões...
Deitei-me aos meus pés implorando respostas,
senti o vento num esquecido afago
desalinhando meus cabelos e as
lágrimas tentando afogar o turbilhão de
ânsias que ecoavam vacilantes pelos
labirintos do meu ser.
Folhearam-me amorosamente as horas,
sinalizando caminhos e dedilhando o contorno
dos meus medos, deveres e obrigações...
Pelo silêncio transbordaram estéreis
esperanças...
Despontou o primeiro raio de sol, assim
dobrei incertezas e atrevidas lembranças,
coloquei nos lábios um sorriso (imaginando
teu beijo), guardei teu retrato e segui na
incerteza de mais um dia.
Sandra
10/04/06

Inútil
Espera
MARIA LUCIA VICTOR
Mais um dia se esvai
em inútil espera,
sem que pudesse
reviver aquela primavera
de teu florescer em mim.
Finda-se o dia
com sinos de Ave-Maria
enquanto a noite,
manto de solidão,
Trás de longe, como perfume,
uma canção.
No quarto, no teto,
no leito deserto
ecoam as batidas
de um só coração
Na lágrima desliza
a dor do olhar,
nos lábios sem beijos
pergunta a queimar:
onde estás?
Foi-se mais um dia
fazendo do tempo
seqüência vazia,
na curva da tarde,
na luz da lua vadia
morreu alegria,
não vais mais voltar.
10/04/2006
|