Corre uma lágrima
descalça e nua daqui...
Sopra distante ao vento um barco e tua vela,
Gotejam em amêndoas teus olhos,
Cintila dourada a pena leve,
teus cabelos ao vento...
Abraça-me calmo os raios de sol
e as águas mareadas me levam...
Refugio o frio ao canto das aves
Silenciado um pranto vermelho
e assim eu desejei...
Que mais pleiteio?
Se dois barcos velejam e beijam
Se pássaros multicores se aninham
Se o branco e preto das flores colorem
Por que seria
somente esta lágrima à metade?...
Que serei-a ao canto do mar
me traz este momento,
Que canto me espanta e cala...
Por que Europa é tão distante
e Atenas tão perto?...
Príncips

Sandra M. Julio
Vestirei tua lágrima com velas de retorno,
Gotejantes em cais de longas esperas...
Com os negros cabelos da noite, secarei a
saudade
Mareada num último raio de sol.
Silencio o canto de aves, para que rezem os
anjos,
Transmutando o vermelho pranto, no encanto
De longínquos horizontes, sonhos azuis...
Assim desejei e me fiz prece.
Nada pleiteio...
Apenas sigo antigos ecos, esquecidos numa
lágrima,
À metade do sonho que cala realidade.
Tempo e distância perdem-se em
pré-conceitos...
Anulando preceitos escritos pela razão
Fazendo da Europa e Atenas vizinhas da
emoção.
Sandra
25/09/06