Sandra M. Julio
Hoje, especialmente hoje...
Bateu forte a saudade, uma vontade do teu
abraço...
Aquele toque forte, acolhendo todas as
esperas,
A solidão e o desejo, entre tuas digitais.
Hoje, especialmente hoje...
A falta dos teus beijos despertou sonhos,
Umedecendo de estrelas, meus olhos
Ainda perdidos, na fecunda ternura de
fantasias.
Hoje, especialmente hoje...
Gritei ao silêncio teu nome, confessando
este amor
Entre escombros de palavras (jamais ditas)
e
Carinhos, que pela ética, nunca a ti
ofertei.
Hoje, especialmente hoje...
Entre segredo de silêncios e lassidão de
loucura,
Desejei a liberdade dos teus gestos,
intrincando
Corpo e alma, num carinho desmedido.
Hoje, especialmente hoje...
Queria todas as luas cheias ludibriando
realidade,
Conjugando em minha pele teus versos,
entre verbos
Declarados desejos, asfixiados pela
distância
Hoje, especialmente hoje...
Meus lábios tocariam sorrisos e sussurros,
Meus beijos, se fartariam na
condescendência dos teus
Ruborizando minh’alma de tantas e tantas
intenções.
Hoje, especialmente hoje...
Faria da felicidade ironia, do medo tosca
magia...
Para no contorno da noite, entregar-me
como oferenda,
Prenda à tudo que não sei de mim nem de
ti.
Hoje, especialmente hoje...
Sandra
12/06/08


(minha expressão de
carinho, em resposta
à extraordinária magia do
versejar de Sandra Júlio)
Cleide Canton
Ontem, na lenta eternidade que socorre
a fragilidade do meu hoje claudicante,
dancei contigo meus sonhos azuis,
e pintei nuvens com meu sorriso de festa.
Ontem, na ânsia de dar-me e ter-te,
desafiei as barreiras do impossível
nos compassos vibrantes de melodias de fé,
com sorrisos que espargiam perfumes
de alegria.
Ontem, atada a ditames divinos,
imune aos conceitos de visões turvas,
livre dos vícios impostos pela
adversidade,
voei plena sobre a nudez das águas puras
do teu canto.
Ontem, sem quaisquer defesas,
dominando a força de tempestades e
ressacas,
abraçada à beleza de estar entre os
mortais,
desenhei minha sorte no jogo da vida.
Ontem, percebendo a impossibilidade
de caminhar entre flores sem compartilhar,
encontrei tuas mãos seguras, estendidas
para uma aliança imaculada: terra e sol...
Ontem, por caprichos de vontades próprias,
deixei-me inundar pelo calor que ofertavas
e te deixaste inebriar pela pureza dos
sentimentos
que a ti somente, ofertei sem reservas.
Ontem, nosso sonho de amor desfraldado
no mais alto mastro da nau que nos
abrigava,
tremula confiante,
desafiando a prepotência tempo,
sempre hoje, nas incertezas do amanhã.
Ontem, eternamente hoje...
SP, 17/06/2008
10:00 horas