Fala-me de amor
numa explosão de versos encadeados,
com requinte, desejos desabrochados,
num
tom macio, refrões intermitentes.
Desperta-me os sonhos dormentes.
Fala-me de amor...
Desatina o desmedido exílio do teu olhar
Envolve com esmero e cuidado meu
caminhar
Apaga a vigília distraída desta saudade
Vestindo de prazer e doçura a realidade.
Fala-me de amor
sem escolher ou esperar
momentos,
sem medo de expor os
sentimentos,
sem pausas, sem cortes, sem
censura.
Quero embarcar nessa aventura.
Fala-me de amor...
Acorda auroras, silencia o luto de
amanhãs
Pinta os matizes adormecidos das manhãs
Deixando ao vento dúvidas, tempestades
Depois retorna ao princípio que
deserdastes.
Fala-me de amor,
jamais de amor doente ou
enjaulado,
preso nas redomas tristes do
passado,
coberto de bolores ou em tons
pastel.
Lindo é ver-te eterno menestrel.
Fala-me de amor...
Abre as algemas da esperança, habita
sonhos
E na rasura de cada dia vivifica
carinhos
Extraviados na correria de vazios dias,
Onde a solidão
minh'alma assedia.
Fala-me de amor,
de magias, de devaneios, de vôo
aberto
no frio do Ártico ou no calor do
deserto,
em qualquer lugar deste nosso
planeta.
Quero olhar estrelas sem luneta.
Fala-me de amor...
Veste de azul meu despertar, despe
ilusões
Floresce alegrias, júbilo de nossos
corações.
Meu colo vazio, inerte, reflete versos
Onde desejos brincam
solitários sentidos.
Fala-me de amor
sem mistérios, sem rodeios, sem
recatos,
sem pensar ou medir seus
próprios atos,
sem defesa, sem aparatos, sem
bloqueio.
Apenas este é o meu anseio.
Fala-me de amor...
A ti entrego pensamentos, incontidas
vontades...
Beijos que advinham em teus lábios,
verdades.
Cala esta carência na escuridão da
melodia
Derramando sons por esta sede arredia.
Fala-me de amor
antes que o inverno me colha de
surpresa,
cheguem ao final as velas da
minha mesa
e as chamas qu'inda crepitam na
lareira.
Teus versos, meu livro de
cabeceira.