A ave aflita é tão bicho quanto gente
Se perde a asa, a ave existe, mas não voa
E de tristeza, o seu canto não entoa
Aceita o fardo e, estiolada, segue em
frente.
As minhas asas há algum tempo se mudaram
Foram voar em outros ares mais distantes
Não mais as vejo nem as toco como antes
Mas as bonecas e os botões, estes ficaram
Ao fim da tarde, só, pergunto-me silente
Onde estão eles com seus hábitos velozes?
Quem ouvirá o lamentar de suas vozes?
De tudo aquilo que um dia foi presente
Fica a saudade, qual um pássaro sem asa
Enquanto espalham-se os retratos pela
casa.
Álvaro
N.Vieira