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Saudade...

 

 

 

A ave aflita é tão bicho quanto gente

Se perde a asa, a ave existe, mas não voa

E de tristeza, o seu canto não entoa

Aceita o fardo e, estiolada, segue em frente.

 

As minhas asas há algum tempo se mudaram

Foram voar em outros ares mais distantes

Não mais as vejo nem as toco como antes

Mas as bonecas e os botões, estes ficaram

 

Ao fim da tarde, só, pergunto-me silente

Onde estão eles com seus hábitos velozes?

Quem ouvirá o lamentar de suas vozes?

 

De tudo aquilo que um dia foi presente

Fica a saudade, qual um pássaro sem asa

Enquanto espalham-se os retratos pela casa.

 

Álvaro N.Vieira

 

 

 

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Publicado: 24.11.2004  Última atualização:  30.10.2009  

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