Sandra M. Julio
Teria o tempo apagado o romantismo,
alicerce do coração?
Quantas palavras não ditas vagaram pelo
nosso olhar... perdidas sem saber bem onde
pousar. Houve momentos, em que o silêncio
gritou tão alto, fazendo com que elas,
assustadas corressem para o exílio da
solidão.
O tempo passa independente da nossa
vontade... Entre partos, fraldas, escolas,
casamentos, novamente fraldas segue a vida
seu percurso.
Nos mistérios de um eterno amanhã,
colocamos nossos sonhos e seguimos o
presente colhendo frutos e plantando novas
sementes a cada dia.
Nossa alma não conhece restrições, pois
seus olhos vêm além do horizonte outra
realidade, outro saber, por isso a
despeito das amarras que colocamos em
nossas vidas emoldurando o porvir, nossa
alegria permanece realizando desejos.
Quando à noite, a escuridão fecha os
cenários, num balanço diário penso no que
poderia ter sido melhor... as respostas
são muitas e me prometo melhoras para o
novo dia, infelizmente nunca a contento.
Porém, olhando no retrovisor do
tempo, vejo-me evoluir no aprendizado da
vida, por vezes desafinando a harmonia dos
meus olhos com alegrias, em outras com
tristezas.
Não é fácil assimilar o vôo do amor
quando, entre metáforas, a melancolia
açoita verdades, porém a certeza de tê-lo
ao meu lado me faz feliz com o renascer do
amor a cada dia em nossos corações.
Emoções ambíguas desalinham caminhos e
sonhos, porém a razão prevalece, e uma
incontida lágrima surpreende o amanhecer,
e na luz de novos horizontes encontramos
força e alegrias.
Então...
Deito nos teus, meus olhos e deslizamos
sorrisos pelos arco-íris da nossa eterna
jornada, provando ao coração que o
romantismo ainda vive, perpetua no tempo
da existência, brincando no faz de conta
da vida.
Sandra
12/06/05