Sandra M. Julio
Pela ínfima eternidade da minh’alma,
busco-te pelos mistérios do porvir...
Pensamentos deixam-se abrigar em sonhos e
desejos suscitando anseios que sempre rumam
em tua direção, num obstinado clamor,
inserido nas entrelinhas dos meus versos.
Distraído segues na mansuetude das horas
tecendo cotidiano, desbravando afazeres,
lutando por uma vida e um mundo melhor...
Sabes bem como fazê-lo.
A distância impede que ouças meu coração
batendo no ritmo do teu olhar, perdendo-se
em teus lábios entre um beijo e um sorriso.
Ou quando acaricio com a brisa teu rosto, e
com os dedos de uma folha solta ao vento
embaraço-me em teus cabelos, soltando os
lastros da imaginação.
Hoje é um dia especial e a incerteza de uma
lembrança machuca e entristece... Esta
lonjura me faz órfã de mim, e na
incredulidade das horas escrevo
escondendo-me do reflexo onde brinca minha
solidão.
Bebo do destino, a saudade, senha para todos
os devaneios e sussurros que insistem em
brincar num horizonte de fantasias,
desalinhando os pálidos passos quando, cegos
pelo sentido, buscam por teus carinhos em
cada raio de luar...
Num desvão do tempo, dolentes suspiros
buscam teus sonhos, teus desejos, esperando
o momento em que teu abraço se abra no meu
corpo e, na onipotência de todas as horas, o
amor se faça.
Sandra
12/06/06
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Editado no Recanto das Letras
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