Sandra M. Julio
Colhi da árvore as sementes e plantei-as em
minh’alma...
Numa síntese de moléculas, lentamente a
fotossíntese em mim se fez,
unificando vidas, sabedoria e sentimentos,
guardados num recôndito do universo.
O luar cintilava entre a plantação
iluminando caminhos, sob seus auspícios,
submeti-me à metamorfose germinando em mim,
sementes...
Em meus pés engendraram-se raízes,
aprofundei-me no colo da mãe Terra, envolta
em seus carinhos, ouvi histórias, viajei
pelo tempo, sugando força e energia dos
seios de grandes lençóis...
Bebi do orvalho a magia e o encanto da
noite, enquanto a brisa acariciava meus
cabelos, ora folhas... Beijaram-me estrelas,
resplandeci paz.
Mística, brinquei entre gnomos e duendes,
contaram-me antigos segredos e fatos de
quando ainda eram reconhecidos por almas
puras, choraram saudade, ofertando fé.
Salamandras crepitavam na mais transparente
energia do fogo, delas recebi a força.
Entre lendas, conheci o negrinho e seus
cavalos, a gralha azul pousou em meus
braços. Anhangá, símbolo da maternidade,
contou-me sua história. Ouvi o choro dos
ipês, conheci curupira e tirei o boné de um
saci...
Num longínquo horizonte despontavam os
primeiros raios de sol, a magia da noite
desfalecia...
Teria sido apenas um sonho?
Desperta, em minhas mãos encontrei
sementes!
Sandra
31/01/07