Quando a
saudade acaricia palavras, que batem
no ritmo constante do coração,
permito que lágrimas busquem suas
lembranças que pairam soltas no
horizonte de mim.
Espalmo em letras sentimentos
guardados, transponho a barreira do
tempo e afogo-me recordações...
Em resposta incita-me o grito
lancinante da sua ausência que
habita o silencioso mundo de
minh'alma.
Percebo-me num momento de profunda
solidão, a garimpar imagens perdidas
nos veios da memória, nos mistérios
da vida e da morte.
Inquieto-me em confidências
sussurradas na inspiração que
estabelece a comunicação cósmica do
universo, permitindo a emoção
abalizar a extensão desse amor.
Na aquarela do horizonte desperta o
sexto ano da sua partida,
entre os matizes da saudade que
choram em meu coração.
Dedilho cenas, afagos desmedidos,
doçuras incontidas, que tocam o
silêncio da alma, orvalhando os
olhos que insistem em querer você
Pai, sempre perto.
Receba dos lábios do meu coração o
beijo que chora sua falta.
Sandra
26/05/04