A tarde chorou...
Por ti, que a mim perdeu... Por mim, crédula
de antigos contos...
É... mesmo antes do baile, a carruagem se
fez abóbora e a noite nem havia chegado com
as suas doze badaladas...
Então, descalça segui, procurando explicação
num sapatinho de cristal.
Caminhei pela noite, secando as lágrimas das
estrelas que choravam em minh’alma, apagando
sonhos que insistiam em brilhar em
longínquos luares.
Ouvi meu soluço ecoando em horizontes
distantes... Em palcos de lúdicos sonhos.
Pintei o coração e segui pelos picadeiros do
mundo, sorrindo minha dor.
Palhaça deste grande circo embriaguei-me de
magia, esquecendo realidade.
No abrigo da noite entreguei-me à solidão
das horas e envolta em lençóis de saudade
escondi a mim.
Adormeci amanhãs em minguantes luas...
Para na clandestinidade da nostalgia
esquecer teu nome.
E parti, descerrando as páginas do meu
cotidiano, num perpétuo renascer.
Sandra
07/03/06