Saudade é uma doce brisa que
chega descalça, transpõe com mansuetude as
barreiras do tempo e beija os lábios d'alma
colorindo lembranças...
Instantes perdidos renascem,
invadem nossa solidão, entreabre janelas,
colorindo momentos com pincéis de ternura.
Pedacinhos vividos juntam-se mutilando o
presente, e por instantes navegamos em
direção à felicidade onde sorrisos habitam
nossos castelos.
Surge um tresloucado desejo
de voltar ao passado e degustar com lentidão
estes momentos para sempre gravados nas
entrelinhas de nossas vidas. Um nostálgico
sabor folheia passado, desdobra pedacinhos
de nossas vidas, trazendo pessoas, fatos,
lugares onde ao nosso lado felicidade
brincou deixando marcas em noss' alma.
Essa viagem nos permite tocar
nossa eternidade, e por vezes, o abstrato
nos abraça e sentimos falta de alguém ainda
não encontrado, lugares por onde não
passamos, abraços extraviados ou do sabor
d’um beijo que nunca chegou a existir...
Lembranças de outras vidas, quem sabe.
Saudade, eternos registros,
displicentes retratos guardados no akasha,
brisa de outono invadindo esperas,
contemplando primaveras, inspirando versos
pela melancolia de vagos pensamentos que a
cantiga do vento entoa, quando a alma toca a
tessitura da emoção.
Banco vazio a espera de
perdidas folhas, sonhos comungados em
preces, ensejo passado sombreando um tardo
presente.
Sandra
04/02/2011