Sandra M. Julio
Amanhece...
Entre os silenciosos passos
da manhã esgueiram sombras, lembranças...
Presentes que a noite
fantasia em minh’alma carente e solitária,
Quando entre estrelas
liquefaço em desvarios, a agonia da solidão.
Vestida de saudade, olhos
cansados da espera, bebo da noite o negro
licor,
Para lascivamente abraçar tua
falta, escrita com secretas lágrimas.
Que a noite, tola, esqueceu
de chorar.
Entre os desvãos da
realidade, fita-me a inspiração...
Escrevo estouvados versos,
como se pudessem eles, inferirem a súplica
Contida no limiar dos meus
abismos, no interstício da razão.
À toa flutuam insulados
sonhos, bocejando esperanças
Entre marolas de tempo e
espera.
Cúmplice, olhar tatua n’alma
matizes de abandono,
Emudecendo juras e promessas,
na sensatez de indecisões.
Assim, calo todos os
silêncios...
Para que a dor da tua
ausência afague a loucura,
Venal e profana, entre as
reticências da lucidez,
Quando num derradeiro
suspiro, ainda gritam teu nome.
Sandra
17/04/08