Meu sonho segue num suave adejar...
Viajei pelo tempo, colhendo fatos e
experiências, encontrei numa manjedoura,
entre palhas, um Menino, entre pastores
ajoelhei-me orando pela Criança.
Segui...
Vi Seu batismo “Este é meu filho amado,
em Quem me comprazo”... A emoção
transbordou n’alma, num Jordão de fé.
Agora Crístico, segue o Menino sua
jornada...
Entre discípulos fiz-me discípula, fui
Pedro, João, Tomé e Judas...
Vi milagres, bebi do vinho em Caná, comi
dos cinco pães e dois peixes e, num caminhar
sobre águas, fui tempestade, como gota,
beijei-Lhe o corpo em amor.
As parábolas não entendi todas, os belos
sermões reverberaram existências, na última
ceia, fui a lágrima que não caiu.
Quando os irmãos essênios juntaram-se
num bethsaid, para decidir quem acompanharia
o Mestre e quem permaneceria em oração (para
construir a força mental que O ajudaria a
suportar Sua mais dura missão), meu coração
sangrou...
Carregando uma pesada cruz, vi em Seus
olhos o reflexo do Amor e da dor, fazendo-se
força tentou um sorriso... Na eternidade
d'um instante, nosso olhar
unido, emudeceu na plenitude do mais
nobre sentimento.
Então, envergonhado o sol escondeu-se
numa nuvem escura, o ar tornou-se pesado,
irrespirável, a terra como num soluço
tremeu, quando do mais puro sangue ingeriu,
purificando seu corpo vital.
Um forte vento calou pensamentos...
Uma sepultura vazia e, Sua missão se
cumpria.
Assim rasgou-se o véu entre mundos, ou
estados de consciência. Tudo se completa
além da dualidade das palavras e dos
(falsos) dogmas.
Como filha da Lua-Sol (filha do amor),
aprendi existir em meu coração, todas as
armas necessárias para viver o Amor que,
apenas na alegria e na calma, pode
florescer. Compreendi ainda ser o homem
verdadeiro filho da terra e dos Céus,
reafirmado em fecunda energia.
Desperta, me pergunto: Quem ressuscitou?
Ele ou eu.