Sandra M. Julio
Teria sido um sonho, quando o universo
abriu-se em palco e, sobre um tapete de
nuvens, suas mãos enlaçaram meu corpo numa
mesma emoção, seguindo os sons de uma
orquestra, onde anjos tocavam a mais doce
e meiga canção?
Estrelas refletiam em seu olhar a magia
desse instante, iluminando caminhos onde a
natureza desabrochava em cores e perfumes.
O tempo parou... As águas se calaram...
Apenas a brisa, na mansuetude do momento
embriagava-se de sons.
Mágico instante em que a fantasia se fez
realidade, despertando desejos calados na
penumbra d’alma, engravidando silenciosas
promessas pelos mistérios de um cotidiano
que voluteia o porvir.
No esplendor desta dança o orvalho batizou
a esperança e na geografia da sua pele,
deixei esquecido meu cheiro e em seus
lábios a doçura dos meus beijos.
Pelo horizonte dissipou-se o abstrato e a
emoção pulsou no compasso da alegria, onde
miríades de estrelas escreveram nossos
nomes no livro da vida.
Assim escutei o bordar das rimas e o tecer
das palavras desnudando o sozinho
palmilhar da consciência, oculta sob as
pálpebras do luar.
Espelhei-me no silêncio do universo e na
fluidez da harmonia, dancei a última valsa
pelos cálidos salões da noite...
Agora, boceja sua ausência, confessando a
eternidade deste amor e pelos trôpegos
lábios das palavras, renasce o sol,
despertando vidas...
Sandra
25/07/06