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Sandra M. Julio
Senti a onipresença do Criador e juntos
seguimos por caminhos que só ao coração é
permitido o entendimento.
Tomei do vinho e comi do pão, discípula
entre discípulos.
Da maldade ouvi o grito, “Deus, meu Deus,
porque me desamparastes”... Não foi fácil
entender tanto sacrifício, nem comensurar a
magnitude desse Amor.
Ouvi também o perdão, num eco que dizia,
“Perdoa-lhes Pai, eles não sabem o que
fazem...”
Lágrimas borbulharam, porém a inconsútil
túnica do Cristo secou os olhos da minh’alma,
perdoando crucificadas dúvidas e angustias
que perambulavam nas sinagogas de cada
pensamento.
“Está consumado... Pai, em tuas mãos entrego
meu espírito.”
Uma nuvem encobriu a face do sol, num
eclipse de dor e vergonha.
A redenção da humanidade individual de Jesus
estava consumada. Necessário não confundir
com a redenção da humanidade, seres humanos,
pois ninguém pode salvar ninguém, só a si
mesmo.
Colho do último raio de sol a magia do
renascer...
Depois sigo, levando a imagem da cruz
coberta com sangue do maior Mestre, cátedra
de um imensurável Amor.
Sandra
31/01/07
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