Minha bola de cristal quebrou... E sem ela,
não tenho como saber o que se passa em teu
coração, não conheço os sonhos nem os
caminhos que nele debruçam.
Apenas sei do silêncio, cruel adaga,
sangrando o cotidiano de todas as dúvidas e
senões.
Ignoro se meus sonhos reverberam em tu'alma,
sei apenas da realidade e de um calendário,
brigando o cansaço do meu olhar no despir de
estações e dúvidas, onde ainda insiste, a
falta das tuas palavras.
Esclareça-me os capítulos que ainda não
escrevi, odeio a quietude das dúvidas, mas
não entendes o advento deste amor.
Já não conheço o princípio dos meus dias,
pois perco-me nas incertezas que entardecem
tua ausência. Sabe...
A pretensa calmaria dos meus olhos esconde
tantos sonhos...
Sou amadora nesta história de amor, não
entendo de exatas reações, nem sei palavras
e gestos estudados.
Exponho-me ao espelho e vejo que falhei,
pois encontro meu olhar vazio, rosto sem
máscaras, coração só, na estranheza do
cotidiano desta tua real e constante
indiferença.
Meus olhos falam de mim e por mim, inútil
querer silenciar a verdade do que sou, pois
são estas certezas que definem a posologia
de todas as incertezas, contando minha
história.
A essência, desajeitada e tola, ofertou-me
as letras para desenhar o perfume do teu
silêncio.
Desabilitada de mim mesma, entrego-me às
estrelas... Fluo à fonte da solidão onde o
luzir da introspecção entrega-me as rédeas
da realidade, fazendo da tua ausência
convite, passagem solitária para esta viagem
que também chamamos, vida.