Pela mutabilidade do tempo, navega meu
olhar...
Entre plácidas horas segue, buscando
perdidas sensações, esquecidas noutros céus,
num tempo sem tempo, onde a inquietude das
estrelas testou a inutilidade das palavras.
No espreguiçar do silêncio, permiti-me
solidão...
As emoções adormeceram primaveras e eu,
esqueci, num inverno de esperas, o
desabrochar d'um sonho.
Da saudade, fiz sinfonia para uma orquestra
de emoções. Na partitura porém, apenas uma
nota (dó) regia o pranto, na indiferença dos
sons.
O vento do amor, soprou desalinhando tons,
fé e coragem...
Pelos trôpegos passos do pensamento,
carícias insones, despertaram lembranças...
Em meus lábios, um beijo que nunca recebi,
um olhar e uma jura, que a brisa
cruel esqueceu de entregar...
Nostalgia passeia por sagrados recônditos
despertando a esperança, entrelaçando luar e
acordes d'um distante olhar, perfumando de
fantasia as ausências que a alma, tola,
ainda insiste em relembrar.
Sandra
29/01/08