Sandra M. Julio
Busco palavras que exprimam e
qualifiquem esta rara sensação, misto de paz
e alegria, que trilha serena pelos
vendavais, mutilando palavras com o ranger
natural da divina força que emana da
natureza.
O perfume do mato, o gorjeio
dos pássaros, as plácidas águas do riacho
descobrem minh’alma navegando nua pela
quietude dos sonhos, sob os auspícios dos
anjos que comigo transitam neste plano.
Encontro no silêncio, meu
reflexo. Entrego-me a esta imagem na
mansuetude das horas em busca de mim.
As palavras tornam-se inúteis
quando o universo conspira felicidade...
Apenas o coração entende este
momento, e espreguiça no colo de Deus.
Nestes instantes de êxtase, a
razão adormece, e é em nosso olhar que as
estrelas buscam luminosidade, para depois,
emudecidas contemplarem criação e criador.
Então a alegria renasce na
cotidiana paisagem, onde nossa alma debruça
realidade, e as dores adormecem num antigo
cenário de jardins perfumando versos e
prosas.
Na generosidade da
manjedoura, encontro verdades... Milagres
que assumem as rédeas do nosso destino,
colorindo displicentes caminhos que a
felicidade insiste em trilhar...
Portanto:
Busco-te felicidade
Na realidade de cada
momento...
Quando o vento, murmura
A ventura de vê-la
Estrela doudejante,
Viajante idolatrada,
Abençoada por minh’alma,
Na calma pungente
Que indiferente, de repente
Faz-se paz e segue
fulgurante,
Vibrante, palpitando ensejos,
desejos...
De felicidade.
Sandra
26/10/05