Seriam
necessários incontáveis carnavais para que a
minha saudade desfilasse solta, pelas
avenidas da vida.
Dela,
muitos sambas se fariam, para no coração do
povo, chorar entre as fortes batidas do
surdo e tamborim, vibrando no suor de
fantasias.
Entre
Colombinas e Pierrôs, pelas arquibancadas da
existência, tua ausência reverberaria em
cada folião, entre sorrisos camuflados de
alegria e álcool, nascente d’uma solitária
lágrima, cisco do tempo.
Pelos
salões, teu olhar em cada olhar,
beijar-me-ia todas as lembranças, trazendo
para a turbulência da noite o ritmo do teu
sorriso.
Entre luzes
capítulos que não vivi, enfeitados com
confetes (pedacinhos coloridos de saudade)
de esperança, que sem pudor brincariam
alegres envoltos em serpentinas de sedução.
Mambembe
minh’alma amanheceria na eloqüência lavrada
pela tua falta, empilharia troféus, que por
engano a vida a mim ofertou, enquanto
porta-bandeira da solidão.
Antes de
tirar a máscara, outra lágrima me queimaria
a face imaginando que Colombina teria agora
teus, tão meus beijos...
As luzes se
apagam, apenas um estribilho brinca minha
dor.
“Vou
beijar-te agora não me leve a mal, hoje é
carnaval”.
Sandra
07/02/08