Sandra M. Julio
Hoje, num distraído palmilhar entre estrelas
Encontrei meus sonhos, refletindo o luzir
d’uma saudade.
Deparei-me com abraços perdidos,
Navegando ao léu, pelo remanso do tempo
Onde beijos ainda buscavam o rumo dos teus
lábios.
A fantasia envolvia o silêncio em lençóis
cravejados de lembranças,
Tantas que, a alma sussurrando segredos,
gritava teu nome.
As horas pareciam adormecidas na mansuetude
deste olhar...
Pelos interstícios da razão, medos
dissimulavam a sensatez,
Versos desnudavam elaboradas camuflagens
Rompendo o ventre da solidão.
Tateei pelo abismo das palavras que nunca
disseste,
Retirando o véu da ilusão.
Para que, no estio do meu olhar,
Coração espreitasse e descobrisse...
Não eram para mim os teus versos,
Nem teus sonhos ou teus sorrisos,
A outras bocas, pertenciam teus beijos e
desejos...
Teus abraços já tinham aconchego em outro
ninho.
Então...
O silêncio se fez companheiro,
Secando a cotidiana saudade...
Restos d'uma fantasia.
Sandra
07/08/06